Juízes se unem contra suspensão de processos sobre pejotização

A suspensão nacional de processos de pejotização mobiliza juízes do Trabalho

Decisão do ministro Gilmar Mendes gera alerta entre magistrados

No dia 14 de abril, o ministro Gilmar Mendes decidiu suspender a tramitação de todos os processos na Justiça brasileira que discutam a legalidade da pejotização, prática em que empresas contratam prestadores de serviços como pessoa jurídica para evitar criar vínculos empregatícios formais. A suspensão, determinada no Tema 1389 de repercussão geral, afeta processos que discutem o reconhecimento de vínculo empregatício em contratos com pessoa jurídica, uma prática crescente em setores como tecnologia, saúde e economia, sobretudo em plataformas digitais.

Manifestação em defesa da competência da Justiça do Trabalho

As 24 associações dos Magistrados do Trabalho (Amatras), a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT) e a Associação Brasileira da Advocacia Trabalhista (Abrat) assinaram um manifesto conjunto em defesa da competência da Justiça do Trabalho. Durante a mobilização nacional convocada pelas entidades, juízes do Trabalho em várias capitais se reuniram para reforçar a importância dessa competência constitucional.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o juiz titular da 5ª Vara do Trabalho da capital fluminense, Ronaldo Callado, secretário-geral da Anamatra, alertou para os riscos da decisão do ministro Gilmar Mendes. Para Callado, a suspensão em todo o país dos processos sobre pejotização pode levar ao esvaziamento da Justiça do Trabalho, que historicamente é responsável por analisar fraudes em relações civis ou comerciais para determinar vínculos empregatícios.

Ele ressaltou que a decisão de suspender esses processos afetaria milhares de casos, levando-os para a Justiça comum, o que poderia sobrecarregar o sistema e prejudicar a celeridade necessária para questões trabalhistas. Além disso, a possibilidade de transferir esses casos para outro âmbito judicial pode resultar em um esvaziamento da competência da Justiça do Trabalho.

Na avaliação de Callado, a decisão de Gilmar Mendes pode impactar negativamente a arrecadação do governo, uma vez que relações de trabalho disfarçadas como contratos de pessoa jurídica deixariam de contribuir com impostos e encargos trabalhistas.

Brasília

Na capital federal, a mobilização em defesa da competência da Justiça do Trabalho contou com o apoio de diversas associações representativas, como a Anamatra, ANPT e Abrat, além de outras entidades ligadas à área trabalhista. O ato visou fortalecer a atuação da Justiça do Trabalho diante das recentes restrições impostas por decisões do STF que questionam sua competência em casos de reconhecimento de vínculos empregatícios.

É importante ressaltar que a decisão do ministro Gilmar Mendes de suspender processos relacionados à pejotização tem gerado debates e preocupações entre magistrados do Trabalho em todo o país, que buscam preservar a competência e a relevância desse ramo da Justiça diante das transformações nas relações de trabalho.

Fonte: Agência Brasil

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