Homem japonês no corredor da morte há 45 anos pode ser inocentado

Ex-boxeador japonês Iwao Hakamada aguarda decisão sobre novo julgamento após 45 anos no corredor da morte

O ex-boxeador japonês, Iwao Hakamada, que passou incríveis 45 anos no corredor da morte, o maior tempo de espera de um prisioneiro no mundo, finalmente saberá seu destino. O tribunal distrital de Shizuoka, no centro do Japão, decidirá sobre seu novo julgamento, que teve início em março de 2023, conforme informações reveladas pelo jornal britânico The Guardian.

Hakamada e o assassinato que o condenou à espera da execução

Hakamada, hoje com 88 anos, foi considerado culpado pelo brutal assassinato de seu ex-chefe, da esposa dele e dos dois filhos do casal, que foram esfaqueados até a morte em 30 de junho de 1966. O ex-boxeador havia trabalhado na mesma fabricante de missô em Shizuoka, na qual seu ex-chefe ocupava o cargo de diretor. Além disso, ele foi acusado de incendiar a casa da família.

Apesar das acusações, Hakamada sempre manteve sua inocência durante as décadas que aguardou a execução. Em 2014, o caso sofreu uma reviravolta quando o tribunal que o condenou culpado decidiu que algumas das evidências eram inseguras e ordenou sua libertação. Posteriormente, um tribunal superior determinou a realização de um novo julgamento.

A luta por justiça e a oposição à pena de morte

O caso de Hakamada se tornou um símbolo para os oponentes da pena de morte no Japão, um país que, juntamente com os Estados Unidos, mantém a pena capital. Os promotores continuam a pedir a execução do ex-boxeador, apesar das evidências contestadas e da luta incansável de Hakamada por justiça ao longo dos anos.

Hakamada sempre alegou ter sido forçado a confessar o crime durante interrogatórios exaustivos. Hoje, enfrentando problemas físicos e mentais, sua presença no tribunal é limitada. Seu longo período de encarceramento expôs as duras condições dos condenados à morte no Japão, e ativistas têm usado seu caso para denunciar os abusos cometidos pelo sistema judiciário do país.

Uma batalha pela verdade e pela humanidade

Hideko Hakamada, irmã de Iwao, permanece otimista diante da perspectiva do veredito final, mesmo diante da possibilidade de recursos por parte dos promotores. Seus advogados acreditam que a luta pela absolvição de Hakamada vai além de um caso individual, buscando justiça para todos aqueles falsamente acusados e detidos.

O advogado de defesa de Hakamada, Hideyo Ogawa, reforça a oposição à pena de morte, em virtude da provação sofrida por seu cliente. A condenação injusta e o longo período de espera pela execução mostraram as profundas marcas que a pena capital deixa naqueles que são vítimas de erros judiciários, reforçando a necessidade de abolir essa prática desumana e cruel na sociedade atual.

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