Exército não apoiou golpe, afirma PF.

Plano de golpe de Estado liderado por Bolsonaro e aliados seria consumado em dezembro de 2022, aponta PF

A Polícia Federal (PF) divulgou que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados estavam articulando um plano de golpe de Estado que seria consumado em 15 de dezembro de 2022. A conclusão veio à tona por meio de um relatório no qual a PF indiciou Bolsonaro e mais 36 acusados por golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O sigilo do relatório foi levantado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator do inquérito do golpe.

Segundo as investigações, a data de 15 de dezembro foi considerada relevante para o contexto golpista, pois nesse dia o ex-presidente recebeu no Palácio da Alvorada o ministro da Justiça, Anderson Torres, e os generais da reserva Braga Netto e Mario Fernandes, todos indiciados pela PF. O general do Exército Freire Gomes, comandante da força, também esteve presente no encontro.

No mesmo dia, estava em andamento uma operação clandestina para prender o ministro Alexandre de Moraes.

Falta de apoio compromete plano golpista

O relatório de indiciamento aponta que a operação foi cancelada pelos envolvidos após receberem a informação de que não haveria adesão das tropas de Freire Gomes ao golpe. Esse fato levou Bolsonaro a não assinar o documento golpista encontrado durante a investigação da PF.

“Apesar de todas as pressões realizadas, o general Freire Gomes e a maioria do alto comando do Exército mantiveram a posição institucional, não aderindo ao golpe de Estado. Tal fato não gerou confiança suficiente para o grupo criminoso avançar na consumação do ato final e, por isso, o então presidente da República Jair Bolsonaro, apesar de estar com o decreto pronto, não o assinou”, afirmou a PF.

Além disso, as provas coletadas no inquérito revelaram que a Aeronáutica também não apoiou a tentativa de golpe, frustrando a empreitada.

“As evidências descritas ao longo do presente relatório demonstraram que o comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, e o ministro da Defesa, Paulo Sérgio, aderiram ao intento golpista. No entanto, os comandantes Freire Gomes, do Exército, e Baptista Junior, da Aeronáutica, se posicionaram contrários a qualquer medida que causasse a ruptura institucional no país”, completaram os investigadores.

Diplomação de Lula e Alckmin

O plano de golpe estava programado para ser executado três dias após a diplomação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente, Geraldo Alckmin, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido na época por Alexandre de Moraes, como os candidatos eleitos em 2022.

No dia 12 de dezembro de 2022, logo após a cerimônia de diplomação no TSE, um grupo tentou invadir a sede da Polícia Federal em Brasília e incendiou ônibus que passavam pela região.

Fonte: Agência Brasil

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