
Alerta de ex-ministro da Defesa sobre possibilidade de golpe preocupa autoridades
O ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, causou preocupação ao revelar que alertou o presidente Jair Bolsonaro sobre a gravidade da possibilidade de medidas golpistas no final do governo do ex-presidente, em 2022. Nogueira, general do Exército e réu da ação penal da trama golpista, foi interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou o general de endossar críticas ao sistema eleitoral, instigar a tentativa de golpe e de apresentar uma versão do decreto golpista para obter apoio dos comandantes das Forças Armadas.
Alerta e preocupação
Nogueira confirmou sua participação em uma reunião convocada pelo ex-presidente para discutir a decretação de medidas de estado de sítio visando reverter o resultado das eleições. No entanto, ele negou ter apresentado o documento em questão. Segundo o ex-ministro, ele e o ex-comandante do Exército Freire Gomes saíram “preocupadíssimos” da reunião, alertando Bolsonaro sobre a gravidade da situação.
“Alertei da seriedade, da gravidade, se ele [Bolsonaro] estivesse pensando em estado de defesa, estado de sítio. A gente conversando ali numa tempestade de ideias, as consequências de uma ação futura que eu imaginava que poderia acontecer se as coisas fossem em frente”, afirmou Nogueira.
Minuta de golpe e pressões
Paulo Sergio Nogueira também refutou a acusação da procuradoria sobre a entrega de uma minuta de golpe aos comandantes das Forças Armadas, declarando que nunca tratou desse assunto com seus ex-comandantes.
O ex-ministro negou ter sofrido pressão de Bolsonaro para alterar o relatório de auditoria das urnas eletrônicas das eleições de 2022, afirmando que as conclusões foram baseadas no parecer dos técnicos das Forças Armadas. Ele pediu desculpas ao ministro Alexandre de Moraes por críticas feitas sem fundamento às urnas eletrônicas e aos ministros do TSE.
Interrogatórios e desfecho da ação penal
O relator da ação penal, Alexandre de Moraes, tem interrogado oito réus acusados de participar do “núcleo crucial” da trama golpista. Entre os interrogados estão Mauro Cid, Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira, e falta o depoimento de Walter Braga Netto, general do Exército e ex-ministro de Bolsonaro.
Braga Netto, único réu a depor por videoconferência, está preso desde dezembro sob acusação de obstrução de investigação sobre a tentativa de golpe. O julgamento para decidir sobre a condenação ou absolvição dos réus, incluindo o ex-presidente, está previsto para o segundo semestre deste ano, com penas que podem ultrapassar 30 anos de prisão em caso de condenação.
Fonte: Agência Brasil
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