Desmatamento na Amazônia: um problema que persiste



O desmatamento na Amazônia é um tema que tem preocupado não só os brasileiros, mas o mundo inteiro. A maior floresta tropical do planeta tem sido constantemente alvo de ações que colocam em risco sua biodiversidade e contribuem para as mudanças climáticas.



Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a taxa de desmatamento na Amazônia aumentou 9,5% no último ano, atingindo a marca de 11.088 km² de floresta devastada. Esse número representa um retrocesso nas políticas de preservação ambiental e um alerta para a urgência de medidas efetivas para conter essa destruição.



Um dos principais motivos do desmatamento na Amazônia é a atividade agropecuária, que avança sobre áreas de floresta em busca de terras para a produção de alimentos e criação de gado. O desmatamento ilegal, impulsionado pela ganância de alguns e pela fragilidade das leis ambientais, também contribui significativamente para a destruição da floresta.



Além dos impactos ambientais, o desmatamento na Amazônia também traz consequências sociais, afetando comunidades indígenas e tradicionais que dependem da floresta para sua subsistência. A perda de biodiversidade e os problemas causados pela mudança climática também colocam em risco a saúde e o bem-estar de milhões de pessoas que vivem na região amazônica.



Diante desse cenário preocupante, é fundamental que sejam adotadas medidas urgentes para combater o desmatamento na Amazônia. A fiscalização das atividades ilegais, o fortalecimento das leis ambientais e o incentivo a práticas sustentáveis são algumas das ações necessárias para reverter esse quadro.



Organizações não governamentais, instituições de pesquisa e a sociedade civil têm um papel fundamental nesse processo, atuando na conscientização da população, na denúncia de crimes ambientais e na pressão por políticas públicas mais eficazes para a preservação da Amazônia.



O desmatamento na Amazônia não é apenas um problema local, mas uma questão global que afeta a todos. A destruição da maior floresta tropical do mundo tem repercussões em escala planetária, contribuindo para as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade em todo o planeta.



É urgente que governos, empresas e cidadãos se unam em prol da preservação da Amazônia e do meio ambiente como um todo. Somente com ações concretas e efetivas será possível reverter o quadro de destruição e garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.



O tempo para agir é agora. A Amazônia não pode mais esperar. Cabe a cada um de nós fazer a diferença e proteger essa que é uma das maiores riquezas naturais do nosso planeta.


Raiara Barros: A Jovem Presidente que Assume o Legado de Chico Mendes

Imagine ser mulher, ter apenas 18 anos de idade e assumir o comando de uma associação com 32 famílias? Acrescente a isso a responsabilidade de fazer parte da família de um dos maiores ativistas socioambientais da história do país. Foi sob essa pressão que, em 2023, a jovem seringueira Raiara Barros (foto de destaque) se tornou a primeira mulher presidente da Associação de Produtores e Produtoras Agroextrativistas do Seringal Floresta e Adjacências, na comunidade Rio Branco, município de Xapuri, Acre. Como missão principal, dar continuidade ao trabalho do pai, Raimundo Mendes de Barros, o Raimundão, e do primo dele, Chico Mendes.


1736950660 432 ebc

A Jornada de Raiara Barros

“A inclusão nesse local de luta é quase automática. Desde criança, eu via meu pai participando das atividades e construindo tudo junto com os companheiros. Foi quando eu comecei a entender mesmo sobre o movimento do qual ele fazia parte. Comecei a participar também com muito interesse, sabendo que um dia quem estaria no lugar dele seria um dos filhos”, conta Raiara.

A jovem, que hoje tem 20 anos, diz que ainda enfrenta preconceitos e desconfiança de alguns pelo gênero e pela idade, mas já coleciona vitórias importantes durante esse pouco tempo. Ela narra que a associação estava parada há seis anos quando assumiu o cargo. Passou um ano resolvendo burocracias, quitando dívidas, até conseguir retomar os trabalhos. Hoje, além de atender a demandas locais, foi construído um espaço voltado para o turismo e a geração de renda da comunidade. Caso do Ateliê da Floresta, onde são produzidos artefatos de madeira, a partir de árvores que caíram há 30 ou 40 anos. E da cozinha comunitária, que emprega um conjunto de pessoas da região.

Rio de Janeiro (RJ) 13/01/2025 - Raiara Barros homenageia luta de Chico Mendes - Jovens da Amazônia lideram lutas para garantir futuro da floresta. Foto: Raiara Barros/Arquivo pessoal

O Engajamento de Raiara

Raiara trabalha também como secretária de Juventude no município de Xapuri e na coordenação do núcleo local do Engajamundo, associação nacional de jovens voltada para enfrentar problemas ambientais e sociais. A jovem não nega que viveu momentos de sobrecarga nesses dois anos, por acumular muitas atividades e viagens.

“Teve um momento que eu cheguei a chorar bastante e a pensar: ‘Será que esse é o meu lugar? Será que eu dou conta de continuar?’ Eu passei uns três meses afastada de todo tipo de movimento. Mas não tem para onde correr. Aqui é onde eu tenho que estar, onde eu tenho que lutar pelo meu povo”, diz Raiara. Parte dessa força vem do legado construído pela família e pela comunidade.

“A carta que o Chico Mendes escreveu – ‘Atenção, jovem do futuro’ – fez com que eu me sentisse chamada para a luta. Ele foi e é uma grande inspiração para os jovens que fazem parte desse movimento. Também lembro de um momento com meu pai. Ele colocou uma poronga na cabeça, que é um objeto usado na cabeça para iluminar as estradas de seringa na mata, e falou para os jovens que estavam ali: ‘Que a luz dessa poronga ilumine o caminho de vocês’. Essas histórias e experiências contribuem muito para o lugar que eu estou hoje”, diz a ativista.

Desafios e Otimismo

Dos problemas enfrentados pela comunidade atualmente, as mudanças climáticas estão entre as mais graves. Fontes de água e plantações secaram, e há dificuldades para prever o ciclo do plantio e das colheitas, quando faz sol e chuva. Também há o desafio de engajar mais jovens da região na conservação da floresta.

“Infelizmente, a questão do agronegócio é muito impregnada no Acre. Ela é muito visibilizada, e a questão ambiental chega a ser apagada. A juventude acaba crescendo com aquela mentalidade de que quem vai trazer progresso será o gado e a derrubada da mata. E isso acaba afetando muito nosso movimento. Somos tão poucos”, lamenta.

Isso não impede que a jovem seja otimista sobre o futuro dessa luta. “Tenho no meu coração que uma hora a gente vai conseguir. Que a gente possa colocar na cabeça do povo a questão ambiental, a importância da defesa da Amazônia. É lutar pela vida. Não podemos viver sem água, sem ar puro para a gente respirar. Queria que todos os jovens vissem o encanto que é preservar as nossas florestas, viver dela e de tudo o que ela nos dá”, diz Raiara.

“O futuro da Amazônia está nas nossas mãos. Acho que é a nossa tarefa correr atrás e de alguma forma adiar o fim do mundo. E não é só juventude das reservas que precisam estar nesse local de luta. A juventude da cidade também. Todos são afetados. Seria fundamental que todas as pessoas participassem.”

Agora, se você conversa propondo ações, soluções e alternativas, as pessoas se sentem mais motivadas a participar. Acredito muito nisso”, finaliza Karina.

Ativismo juvenil

O ativismo juvenil tem sido fundamental na luta pela preservação do meio ambiente e dos direitos indígenas. Jovens como Lídia Guajajara e Karina Penha têm se destacado não apenas por suas ações concretas, mas também por sua capacidade de mobilizar e engajar outras pessoas. A energia, a criatividade e a determinação da juventude indígena e periférica têm sido essenciais para mover as discussões e pressionar por mudanças efetivas.

É preciso reconhecer e valorizar o papel desses jovens ativistas, que enfrentam inúmeros desafios e obstáculos, mas não desistem de lutar por um futuro melhor. Suas vozes são poderosas e inspiradoras, e é por meio delas que a esperança de um mundo mais justo e sustentável se mantém viva. O ativismo juvenil não é apenas uma moda passageira, mas sim uma necessidade urgente diante dos desafios que enfrentamos atualmente.

Portanto, é crucial que essas vozes sejam ouvidas e que suas demandas sejam atendidas. O futuro do planeta e das gerações futuras depende do engajamento e da ação desses jovens ativistas, que são a esperança de um mundo mais justo e equilibrado. A juventude indígena e periférica tem muito a ensinar e a contribuir para a construção de um futuro sustentável e inclusivo para todos.

A ativista Karina ressalta a importância de abordar a questão das mudanças climáticas sob uma perspectiva positiva, destacando o direito de todos a viver bem e ter acesso ao meio ambiente e aos benefícios sociais. Segundo ela, a mobilização em torno desses direitos é fundamental para garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.

Em 2025, a realização da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém representa uma oportunidade única para mobilizar as pessoas em torno desse tema. Karina destaca a importância de acompanhar de perto as negociações e os avanços na questão climática, ressaltando o papel da sociedade civil na busca por soluções efetivas dentro das possibilidades de cada um.

A ativista reconhece que as notícias e relatórios sobre as mudanças climáticas podem ser alarmantes e desanimadores, especialmente para aqueles que lidam diretamente com dados e informações sobre o tema. No entanto, ela enfatiza a importância de não perder a esperança e de continuar acreditando que cada indivíduo pode fazer a diferença na luta contra as mudanças climáticas.

Série sobre a Amazônia

A reportagem faz parte da série Trilhas Amazônicas, promovida pela Agência Brasil como parte das discussões em preparação para a COP30. Nessa série, povos da Amazônia e defensores da floresta compartilham suas perspectivas sobre os impactos das mudanças climáticas e as estratégias para enfrentá-los.

É fundamental ampliar o debate e conscientizar a população sobre a importância da preservação da Amazônia e da adoção de medidas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas na região. A participação ativa da sociedade civil é essencial para pressionar os governos e as empresas a adotarem práticas mais sustentáveis e a promoverem ações concretas em prol do meio ambiente.

A realização do TEDxAmazônia 2024, patrocinado pela CCR, também contribui para ampliar o debate sobre a preservação da Amazônia e a importância de promover a conscientização sobre as mudanças climáticas. Eventos como esse são fundamentais para sensibilizar a população e mobilizar a sociedade em torno de ações que visam garantir um futuro mais sustentável para o planeta.

Em suma, a luta contra as mudanças climáticas exige o engajamento de todos, desde os governos e as empresas até os cidadãos comuns. A conscientização, a educação ambiental e a adoção de práticas sustentáveis são fundamentais para garantir a preservação do meio ambiente e o bem-estar das futuras gerações. A COP30 e eventos como o TEDxAmazônia representam oportunidades importantes para ampliar o debate e promover ações concretas em prol de um futuro mais sustentável para o planeta.

Fonte: Agência Brasil

Já segue o macuxi nas redes sociais? Acompanhe todas as notícias em nosso Instagram, Twitter, Facebook, Telegram e também no Tiktok