
Alerta da ONU: cortes de financiamento dos EUA podem resultar em mais de 6 milhões de mortes por HIV e AIDS
Mais de seis milhões de pessoas correm o risco de morrer de HIV e AIDS nos próximos quatro anos se o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cortar o financiamento global para programas de combate a essas doenças, alertou a agência de Aids das Nações Unidas nesta sexta-feira (7).
Impacto dos cortes de financiamento
A vice-diretora executiva do Unaids, Christine Stegling, destacou que apesar de os programas de HIV/Aids não terem sido afetados imediatamente pelo congelamento do financiamento de ajuda externa anunciado pelos EUA no mês passado, muitas preocupações permanecem sobre o futuro dos tratamentos dos pacientes.
“Há muita confusão, especialmente em nível comunitário. A entrega de medicamentos na comunidade, os serviços de transporte, os agentes comunitários de saúde, todos esses serviços ainda estão sendo afetados”, disse Christine Stegling.
Trump suspendeu centenas de milhões de dólares em doações de ajuda externa por 90 dias ao assumir o cargo em 20 de janeiro. Nos dias seguintes, o Departamento de Estado dos EUA emitiu uma isenção ao Plano de Emergência do presidente para o Alívio da Aids (PEPFAR) – a principal iniciativa de HIV do mundo – para assistência humanitária que salva vidas.
Situação caótica e aumento de mortes
Embora tenha saudado a isenção concedida, Stegling enfatizou que a situação continua caótica. Em meio a um declínio mais amplo de financiamento, ela alertou que haveria um aumento de 400% nas mortes por Aids se o apoio financeiro do PEPFAR não for reautorizado entre 2025 e 2029.
“São 6,3 milhões de pessoas, 6,3 milhões de mortes relacionadas à Aids que ocorrerão no futuro… Qualquer centavo, qualquer corte, qualquer pausa, importará para todos nós”, disse ela, pedindo aos Estados membros da ONU que intervenham.
“Na Etiópia, temos 5.000 contratos de profissionais de saúde pública financiados pela assistência dos EUA. E todos eles foram rescindidos”, declarou Stegling. As doações dos EUA representam a maior parte do financiamento do programa da ONU que opera em 70 países, liderando os esforços globais para acabar com a Aids como uma ameaça à saúde pública até 2030.
Conclusão
A situação alarmante levantada pela agência de Aids das Nações Unidas evidencia a gravidade dos possíveis cortes de financiamento por parte dos Estados Unidos. O impacto dessas medidas poderá resultar em um aumento significativo de mortes relacionadas ao HIV e AIDS nos próximos anos, colocando em risco os avanços conquistados até o momento no combate a essas doenças. É fundamental que a comunidade internacional e os Estados membros da ONU intervenham para garantir a continuidade dos programas de tratamento e prevenção, visando alcançar o objetivo de acabar com a Aids como uma ameaça à saúde pública até 2030.
Fonte: G1








