Ataque dos EUA ao Irã desencadeia escalada no Oriente Médio, afirma Rússia


Rússia afirma que ataque dos EUA a instalações nucleares iranianas intensifica conflito no Oriente Médio

A Rússia declarou nesta segunda-feira (23) que o ataque dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas, ocorrido no sábado, “inaugurou uma nova escalada” no conflito entre Israel e Irã.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, enfatizou que “o ataque americano aumentou o número de participantes no conflito [entre Israel e Irã] e inaugurou uma nova espiral de escalada” na região do Oriente Médio. Durante uma coletiva de imprensa na sede da presidência russa, Peskov também fez novas condenações ao ataque dos EUA.

Ataques dos EUA a instalações nucleares do Irã

Os Estados Unidos realizaram no sábado (21) ataques aéreos contra três instalações nucleares do Irã: Fordow, Natanz e Isfahan. Essa ação, coordenada com o governo israelense, marcou uma nova fase do conflito entre os dois países.

Antes dos ataques dos EUA, a Rússia havia assinado um tratado de parceria estratégica com o Irã em janeiro deste ano, embora o acordo não incluísse uma cláusula de defesa mútua. O governo russo havia alertado que uma intervenção militar americana poderia desestabilizar toda a região e levá-la ao “abismo”.

Questionado sobre as próximas ações da Rússia, o porta-voz Peskov afirmou que Moscou ofereceu seus serviços como mediador e que o caminho a seguir dependerá das necessidades do Irã. Além disso, o presidente russo, Vladimir Putin, se reuniu com o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, para discutir o conflito.

Detalhes do ataque dos EUA ao Irã

Para atacar o Irã, os EUA utilizaram 125 aeronaves militares, mísseis de alta precisão, um submarino e bombas projetadas para destruir áreas subterrâneas. O presidente americano, Donald Trump, descreveu a operação como “bem-sucedida”, afirmando que as instalações nucleares sofreram “danos e destruição extremamente severos”.

O general americano Dan Caine, responsável por repassar informações sobre os ataques, mencionou que será necessário algum tempo para avaliar completamente a extensão dos danos causados pela operação. No entanto, uma avaliação preliminar indicou que as instalações do Irã sofreram danos graves.


Trump, usando boné Maga, acompanhou ataque americano ao Irã em sala de situação na Casa Branca — Foto: The White House/Reuters

Imagens de satélite mostram crateras recentes na região de Fordow, indicando danos provocados pelos bombardeios. Stu Ray, analista de danos da McKenzie Intelligence Services, explicou que as bombas utilizadas não são projetadas para detonar na superfície, o que pode explicar a falta de impacto visível.

A Organização Iraniana de Energia Atômica classificou o bombardeio das instalações nucleares como uma “violação bárbara” do direito internacional. Hassan Abedini, vice-diretor político da emissora estatal iraniana, afirmou que o país “não sofreu um grande golpe porque os materiais já haviam sido retirados” das instalações.

Impacto dos ataques e possíveis vítimas

Até o momento, não foi divulgado um número específico de vítimas decorrentes dos ataques dos EUA contra o Irã. O secretário americano de Defesa, Pete Hegseth, assegurou que a missão não teve como alvo as tropas iranianas ou o povo do país.

Hassan Abedini informou que o Irã havia evacuado as três instalações bombardeadas “há algum tempo”. No entanto, desde o início do conflito entre Irã e Israel, mais de 240 pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas nos dois países, de acordo com dados oficiais. Estimativas independentes sugerem que o número de mortos pode chegar a 500.

Imagem de satélite mostrando buracos e crateras após ataque dos EUA ao Irã
Imagem de satélite de 22 de junho mostra buracos e crateras na encosta do complexo subterrâneo de Fordow, após ataque dos EUA, perto de Qom.

Ataque nuclear no Irã gera tensões internacionais

No último ataque nuclear no Irã, realizado pelos Estados Unidos, a situação se tornou cada vez mais delicada. A Arábia Saudita e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização nuclear da ONU, afirmaram que não houve aumento nos níveis de radiação após o evento. Apesar disso, a AIEA se comprometeu a fornecer avaliações adicionais sobre a situação no Irã à medida que mais informações estiverem disponíveis.

Possíveis retaliações do Irã contra os EUA

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian — Foto: Site presidencial do Irã/WANA (West Asia News Agency)/Divulgação via REUTERS
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian — Foto: Site presidencial do Irã/WANA (West Asia News Agency)/Divulgação via REUTERS

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que os EUA devem receber uma resposta pela sua agressão. Em um comunicado, ele afirmou que o país está pronto para se envolver e negociar dentro da estrutura do direito internacional, mas que o outro lado exigiu a rendição da nação iraniana. Diante desse cenário, analistas apontam três possíveis caminhos estratégicos para o Irã:

  • Revidar com força e rapidez: A troca de mísseis entre Irã e Israel já dura dez dias, porém retaliar contra os EUA representa um novo nível de risco. Estima-se que o Irã ainda detenha cerca da metade de seu estoque original de aproximadamente 3.000 mísseis, tendo usado e perdido o restante nos embates com Israel.
  • Revidar mais tarde: Essa opção envolveria esperar até que a tensão atual diminuísse e lançar um ataque surpresa no momento escolhido pelo Irã, quando as bases dos EUA não estivessem mais em alerta máximo. Esse ataque poderia atingir missões diplomáticas, consulares ou comerciais dos EUA, ou ainda envolver o assassinato de indivíduos.
  • Não retaliar: Essa seria uma atitude de grande contenção por parte do Irã, evitando novos ataques dos EUA. O país poderia optar pela via diplomática e retomar as negociações com os americanos, apesar do chanceler iraniano afirmar que o Irã nunca abandonou essas negociações, e que foram Israel e os EUA que as destruíram.

Fonte: G1