
Ministro das Relações Exteriores cobra atuação diplomática do Brics
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, cobrou a atuação diplomática de países do Brics – grupo que reúne 11 nações emergentes e em desenvolvimento – para a busca de solução de guerras e conflitos regionais. A declaração foi feita durante a abertura do encontro de ministros de Relações Exteriores do Brics, que aconteceu no Rio de Janeiro.
Chanceler da Rússia presente
Entre os presentes na sala onde Vieira fez o pronunciamento estava Sergey Lavrov, o chanceler da Rússia, país em guerra com a Ucrânia. A guerra teve início após a Rússia invadir o país vizinho em fevereiro de 2022, sob a alegação de que a aproximação da Ucrânia com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) colocava em risco a segurança russa. Nesta segunda-feira, a Rússia declarou cessar-fogo unilateral de três dias, de 8 a 10 de maio, para lembrança da vitória contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial.
No discurso aos demais chanceleres, Vieira não citou nominalmente a Rússia. “O conflito na Ucrânia continua a causar pesado impacto humanitário, ressaltando a necessidade urgente de uma solução diplomática que defenda os princípios e os propósitos da Carta das Nações Unidas”, disse o ministro.
Multilateralismo em foco
O encontro dos chanceleres acontece no Palácio Itamaraty, espaço que foi sede do Ministério das Relações Exteriores durante grande parte do século 20, e serve para os ministros alinharem posições a serem defendidas no encontro de cúpula, que reunirá chefes de Estado e de governo nos dias 6 e 7 de julho, também no Rio de Janeiro.
“Esta reunião acontece em um momento em que nosso papel como grupo é mais vital do que nunca. Enfrentamos crises globais e regionais convergentes, com emergências humanitárias, conflitos armados, instabilidade política e a erosão do multilateralismo”, declarou Vieira.
O ministro afirmou que o Brics está unido em torno da ideia de que a paz não pode ser imposta, e sim, construída. Além disso, afirmou que o grupo reconhece os interesses estratégicos e os legítimos interesses econômicos e de segurança de cada membro.
Faixa de Gaza e outros conflitos
Vieira também abordou conflitos que não possuem envolvimento direto de integrantes do Brics, citando a situação devastadora nos territórios palestinos ocupados por Israel desde outubro de 2023, após ataques e sequestros do grupo extremista palestino Hamas. O ministro pediu esforços para cumprir integralmente os termos do acordo e se engajar em prol de uma cessação permanente das hostilidades.
O Brasil defende a solução de dois Estados, com um Estado da Palestina independente e viável, dentro das fronteiras de 1967, e com Jerusalém Oriental como sua capital, vivendo lado a lado com Israel. Além disso, a situação no Haiti, Sudão, região dos Grandes Lagos e Chifre da África também foram mencionadas.
Entenda o Brics
O Brics é um grupo formado por 11 países e atua como um foro de articulação político-diplomática e de cooperação do Sul Global. Fundado em 2006, o grupo era Bric, iniciais de Brasil, Índia, Rússia e China. Em 2011, o acrônimo ganhou o “s”, de South Africa (África do Sul, em inglês).
Os países membros se alternam ano a ano na presidência do bloco. O Brasil será sucedido pela Índia em 2026. Os 11 países representam 39% da economia mundial e 48,5% da população do planeta.
Presidência brasileira
O Brasil escolheu duas prioridades para marcar a presidência temporária do país: Cooperação do Sul Global e parcerias para o desenvolvimento social, econômico e ambiental. O ponto alto da presidência brasileira será a reunião de cúpula de chefes de Estado e de governo nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.
Fonte: Agência Brasil
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