Erika Hilton aciona Ministério das Relações Exteriores sobre visto dos EUA com gênero masculino

Deputada Erika Hilton tem identidade de gênero negada para emissão de visto diplomático

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) passou por uma situação constrangedora durante o processo de emissão de visto diplomático para participar de uma conferência acadêmica nos Estados Unidos. A parlamentar denunciou que teve sua identidade de gênero negada, sendo alvo de uma política transfóbica por parte do governo americano, o que configurou um problema diplomático.

Denúncia e providências

A deputada enviou um ofício ao Ministério das Relações Exteriores solicitando uma reunião com o ministro Mauro Vieira, e o Itamaraty está avaliando a possibilidade do encontro. Além disso, Erika Hilton informou que está articulando uma ação jurídica internacional contra o governo de Trump.

Documentos reunidos pela equipe da deputada revelam que a embaixada norte-americana em Brasília deliberadamente registrou Erika com o sexo masculino, desconsiderando sua certidão de nascimento retificada e seu passaporte brasileiro que atestam seu gênero feminino.

Missão oficial e desistência da viagem

Erika Hilton fazia parte de uma missão oficial autorizada pela Câmara dos Deputados e estava programada para palestrar no painel “Diversidade e Democracia” durante a Brazil Conference at Harvard & MIT 2025, ao lado de outras autoridades brasileiras. Após o ocorrido, a deputada optou por desistir da viagem.

Segundo a parlamentar, é muito grave o que os Estados Unidos têm feito com as pessoas trans que vivem no país e com quem ingressa na nação. Ela criticou a política higienista e desumana que desrespeita não apenas as pessoas trans, mas também a soberania do governo brasileiro em relação aos documentos emitidos.

Posicionamento da Embaixada americana

Em nota, a Embaixada americana afirmou que os registros de visto são confidenciais e que reconhece apenas os sexos masculino e feminino. De acordo com a Ordem Executiva 14168, a política dos EUA é reconhecer apenas dois sexos, considerados imutáveis desde o nascimento.

“A embaixada dos Estados Unidos informa que os registros de visto são confidenciais conforme a lei americana e, por política, não comentamos casos individuais. Ressaltamos também que, de acordo com a Ordem Executiva 14168, é política dos EUA reconhecer dois sexos, masculino e feminino, considerados imutáveis desde o nascimento”.

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