
General denunciado por tentativa de golpe pressionava Bolsonaro, revela delação
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, apontou o general da reserva Mário Fernandes como um dos principais incentivadores de medidas antidemocráticas nos dois meses entre o fim das eleições de 2022 e a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023. A delação de Cid foi liberada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelando um plano de ruptura institucional liderado por Bolsonaro e seus aliados.
Denúncia e prisão de Fernandes
A delação de Cid fundamentou a denúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra Bolsonaro, Cid, Fernandes e outras 32 pessoas por crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Fernandes, general do Exército e ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência no governo Bolsonaro, foi apontado como coordenador de ações de monitoramento e assassinato de autoridades públicas, incluindo o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
O plano de atentado, denominado “Punhal Verde e Amarelo”, foi descoberto pela investigação da Polícia Federal (PF) em operação que resultou na prisão de Fernandes. Ele era considerado um dos militares mais radicais do grupo golpista, atuando como elo entre manifestantes acampados em quarteis e o governo federal.
Pressão e envolvimento de outros militares
Além de Fernandes, o general Walter Braga Netto, também preso no Rio de Janeiro, foi apontado por Cid como outro participante ativo nos planos golpistas. Braga Netto mantinha contato diário com Bolsonaro após a derrota eleitoral, sendo parte do núcleo decisório das ações antidemocráticas.
Cid revelou que uma reunião na casa de Braga Netto, em novembro de 2022, marcou o início do planejamento dos atentados contra Lula, Alckmin e Moraes. Embora tenha saído antes da discussão do plano, por orientação de Braga Netto, a PGR afirmou que Bolsonaro estava ciente e concordava com as ações planejadas.
Financiamento do plano
Em uma das demandas, o coronel Rafael Oliveira solicitou a Cid recursos para viabilizar o plano. Cid buscou inicialmente apoio no tesoureiro do Partido Liberal (PL), mas, diante da recusa, recebeu R$ 100 mil em espécie no Palácio do Planalto, em dezembro.
No desenrolar das investigações sobre possíveis atos antidemocráticos envolvendo militares da ativa, uma nova revelação veio à tona. O ex-secretário de Ramos Mauro Cid, em sua delação premiada, afirmou que o general Braga Netto entregou dinheiro para a realização de ações que visavam criar instabilidade e impedir a posse do ex-presidente Lula.
A entrega do dinheiro foi feita pessoalmente por Braga Netto, que teria obtido a quantia através do “pessoal do agronegócio”. Essa revelação lança luz sobre a participação de altos escalões militares em planos que ameaçavam a democracia brasileira.
Além de Braga Netto, os coronéis Oliveira e Ferreira Lima também estariam envolvidos nas ações que visavam criar uma situação de instabilidade que permitisse uma medida excepcional por parte do presidente da República que impedisse a posse de Lula, eleito democraticamente.
Apesar de Mário Fernandes fazer parte do alto escalão da Secretaria-Geral da Presidência da República, ocupada na época pelo general Luiz Eduardo Ramos, a delação de Mauro Cid isenta Ramos de envolvimento direto na trama. Isso se deve ao afastamento de Ramos de Bolsonaro naquele período, o que o teria colocado fora do círculo de confiança do presidente.
Segundo a fonte da Agência Brasil, o general Ramos foi “completamente alijado do processo”. Ele teria tido desentendimentos com o presidente e até mesmo a expectativa de ser nomeado ministro da Defesa não se concretizou. A relação entre Ramos e Bolsonaro foi se desgastando ao longo do tempo, culminando no afastamento do general das decisões do governo.
Essa nova revelação traz à tona a complexidade das relações no alto escalão do governo, evidenciando as disputas de poder e as divergências internas que podem comprometer a estabilidade política e institucional do país. O envolvimento de militares em ações antidemocráticas levanta questionamentos sobre o papel das Forças Armadas na democracia brasileira e a necessidade de garantir a separação entre Estado e governo.
À medida que mais detalhes sobre os atos antidemocráticos vêm à tona, fica evidente a importância de investigações rigorosas e transparentes para responsabilizar os envolvidos e preservar os princípios democráticos do país. A sociedade brasileira espera que as instituições cumpram seu papel de garantir a democracia e a justiça, sem se deixar influenciar por interesses políticos ou ideológicos.
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