Dólar cai 1,13% em dia de alta de moedas emergentes e declarações de Powell

Dólar fecha em baixa e se aproxima do piso de R$ 5,40

O dólar apresentou queda expressiva nesta terça-feira, 9, e fechou no menor valor em mais de dez dias, aproximando-se do piso de R$ 5,40. A sessão foi marcada por uma onda de valorização de divisas emergentes latino-americanas, apesar do avanço moderado das taxas dos Treasuries de 10 e 30 anos.

Expectativas em relação ao Federal Reserve

Embora o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em audiência no Senado americano, tenha evitado se comprometer com um movimento de queda de juros nos próximos meses, a safra mais recente de indicadores americanos aumentou as expectativas para uma redução da taxa básica em setembro. Powell disse que não é necessário esperar a inflação chegar à meta de 2%, mas que as decisões do Fed vão depender de leituras positivas dos indicadores.

Real tem segundo melhor desempenho

O real apresentou hoje o segundo melhor desempenho entre as principais moedas emergentes e de países exportadores de commodities, atrás apenas do peso chileno. Além do ambiente externo favorável, a moeda brasileira se beneficia da diminuição da percepção de risco doméstico, diante de sinais de disposição do governo de cortar gastos para cumprir as metas fiscais.

Variações do dólar ao longo do dia

Em baixa desde a abertura dos negócios, o dólar reduziu ou aumentou o ritmo de queda de acordo com o comportamento das taxas dos Treasuries. As mínimas, à tarde, quando desceu até o piso de R$ 5,4135, vieram quando o retorno da T-note de 10 anos se afastou das máximas. No fim do dia, o dólar à vista recuava 1,13%, a R$ 5,4149 – menor valor de fechamento desde 24 de junho (R$ 5,3904).

Atividade influenciada pelo feriado em São Paulo

Operadores observam que a liquidez foi mais reduzida hoje, em razão do feriado da Revolução Constitucionalista em São Paulo, o que deixou a formação da taxa de câmbio mais suscetível a operações pontuais. Houve relatos de entrada de recursos de exportadores e de desmonte parcial de posições cambiais defensivas no segmento futuro.

Análise sobre o comportamento do real

O head da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, afirma que o real segue hoje o processo de recuperação iniciado em meados da semana passada, uma vez que tinha se desvalorizado muito mais que outras moedas emergentes nas últimas semanas com as tensões locais. “Ainda tem espaço para devolver alguma coisa, para níveis perto de R$ 5,30”, afirma Weigt.

Expectativas econômicas e políticas

Caso não haja novos ruídos políticos ou retrocesso na agenda fiscal, a taxa de câmbio pode voltar a refletir mais de perto o comportamento do dólar em relação a divisas pares, observa Weigt. Amanhã, o mercado digere novo discurso de Powell no Congresso americano. Na quinta-feira, 11, será divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) referente a junho, que pode reforçar a continuidade do processo de desinflação.

Projeções para o mercado cambial

Em relatório, o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, reiterou a projeção de taxa de câmbio em R$ 5,30 no fim do ano, atribuindo o retorno do dólar para o nível de R$ 5,41 ao “apaziguamento das tensões” locais.

Já segue o macuxi nas redes sociais? Acompanhe todas as notícias em nosso Instagram, Twitter, Facebook, Telegram e também no Tiktok