54 anos da morte de Rubens Paiva: legado de luta reconhecido

A trajetória de Rubens Paiva: idealismo, coragem e luta pela justiça

A história da prisão e morte do ex-deputado federal Rubens Paiva (1929-1971) tem sido relembrada e ganhado destaque nacional e internacional com o sucesso do filme “Ainda estou aqui”, dirigido por Walter Salles. O enfoque nos dias de dor e luta da família, especialmente da esposa Eunice Paiva, ressalta a oportunidade de resgatar o legado deste homem que foi um líder idealista e corajoso. Rubens Paiva liderou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre financiamento ilegal de campanhas e defendia a reforma agrária.

Um idealista combativo desde a juventude

Nascido em Santos (SP), Rubens Paiva demonstrava inconformidade com as injustiças sociais desde sua juventude como estudante em São Paulo. Seu engajamento político começou no movimento estudantil, onde se destacou como presidente do Centro Acadêmico Horácio Lane na Universidade Mackenzie. Mesmo sendo um empresário no ramo da engenharia civil, ele defendia pautas sociais e se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), participando ativamente do Jornal de Debates, um seminário nacionalista em São Paulo.

Em 1962, Rubens Paiva se candidatou e foi eleito para a Câmara dos Deputados, atuando com intensidade em prol da reforma agrária, nacionalização de empresas estratégicas, educação e saúde. Sua coerência política e coragem foram marcas de sua trajetória, segundo o biógrafo Jason Tércio.

Atuação destacada e confrontos com o regime

Uma das atuações marcantes de Rubens Paiva foi como vice-presidente da CPI que investigava o financiamento eleitoral suspeito de parlamentares com recursos de instituições conservadoras. Sua postura firme e pressão incomodaram tanto seus adversários políticos quanto o regime ditatorial que se instaurava no país. Além disso, ele elaborou um relatório sobre corrupção na construção da ponte Rio-Niterói, o que também incomodou os militares.

Após o golpe de 1964, mesmo cassado e exilado por alguns meses na Europa, Rubens Paiva continuou atuando politicamente e se envolvendo em causas contra a ditadura. Sua coragem política e imprudência foram características que o marcaram, sendo constantemente monitorado pelas autoridades.

O legado de Rubens Paiva e a busca por justiça

Rubens Paiva nunca pegou em armas, mas sua postura a favor das liberdades e da democracia o tornou alvo dos militares. Sua prisão em 1971, seguida de tortura e assassinato, ficou marcada na história do Brasil. Mesmo após mais de cinco décadas, a história de Rubens Paiva continua a assombrar a consciência brasileira, sendo um crime que permanece “engasgado na garganta do Brasil”, nas palavras do biógrafo Jason Tércio.

A repercussão do filme “Ainda estou aqui” e a trajetória de Rubens Paiva servem como uma oportunidade para a sociedade compreender a crueldade da ditadura militar no país e reconhecer o legado de idealismo e coragem deixado pelo ex-deputado. A busca por justiça e memória se mantém viva através de iniciativas como a Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva, resgatando a história de figuras importantes que lutaram contra a opressão e a injustiça.

Fonte: Agência Brasil

Já segue o macuxi nas redes sociais? Acompanhe todas as notícias em nosso Instagram, Twitter, Facebook, Telegram e também no Tiktok